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Foi com essa brilhante estratégia utilizada para colher os pormenores de um assassinato de grande repercussão no Rio que uma menina, mineira de nascimento e com apenas dezesseis anos, conseguiu, em 1914, escrever sua matéria na capa do jornal Última Hora, batendo recordes de venda.

Anunciando que entraria para o convento, o “Azylo” Bom Pastor, e deixaria o trabalho, Eugênia Brandão lançou uma dúvida para a sociedade carioca: seria uma desilusão amorosa ou uma forte depressão? Ninguém conseguia entender por que uma “mulher” bem sucedida se enclausuraria. Nada disso. Entrou para entrevistar a irmã de uma mulher que fora vítima de um crime atroz conhecido como A Tragédia da Rua Dr. Januzzi, 13.


Eugênia Brandão*

Foi no jornal A Rua que Eugênia Brandão estreou como repórter, causando verdadeiro frisson na sociedade. Na redação do jornal, nem se fala; isso era coisa de homem...

Numa época em que a imprensa só admitia mulheres para escreverem folhetins ou poemas, Eugênia mostrou que a mulher também poderia atuar em reportagens investigativas. Aliás, detém o mérito de ser reconhecida como a primeira repórter brasileira. Até um neologismo foi aplicado para descrever a nova função: reportisa.

Surpreendente a maturidade e a convicção que apresentava, com dezesseis anos, ao escrever que:

“A mulher será livre somente no dia em que passar a escolher seus representantes”.

Com o prestígio em alta, começou a “levantar bandeiras” importantes como a igualdade entre homens e mulheres e o tão desejado voto feminino. Casada com o escritor e também jornalista Álvaro Moreira, fazia de seu lar, em Copacabana, um ponto de encontro da intelectualidade carioca.

Ao lado de seu marido, também atuou na renovação do teatro brasileiro, sendo uma das musas do Movimento Modernista.

Trabalhou em outros jornais como A Notícia e O País. Teve seis filhos e foi fundadora, em 1935, da União Feminina do Brasil, ala feminista do Partido Comunista do Brasil, que uniu forças com a Aliança Nacional Libertadora, formando a frente antifascista. Foi graças aos protestos realizados em conjunto que Hitler permitiu a vinda de Anita Leocádia, filha de Olga Prestes.

Fumando charutos, cigarros com piteira e mantendo seu cabelo curto, Eugênia Brandão impôs seu estilo e abriu mais um caminho antes destinado apenas aos homens.

Eugênia Brandão Moreira morreu no dia 17 de junho de 1948, aos cinquenta anos de idade.

Por Ismênia Araújo
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Fontes:
www.wikipédia.com www.almanaquebrasil.com.br/o-brasil-em/mineirinha-do-oio-damnado-conquista-irreverente-carioca/ (* Foto) http://www.millarch.org/artigo/observatorio-38
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muito boa as suas matérias. li anteriormente a do Zepelin. e adorei, assim como esta. parabéns!
  Postado por: Alan Castilho
  em: 2010-03-05 18:10:27



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