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COLUNA PATRIMÔNIO HISTÓRICO
Leonardo Ladeira ladleo@gmail.com
"Quantas recordações de infância me desperta o nome da advogada das moléstias de olhos, da qual é, amanhã o dia da festa, comemoração tradicional e antiquíssima por parte dos habitantes desta cidade! Para evitar o sol de Dezembro ia-se a pé, à missa, às 6 horas da manhã, e era de ver-se a romaria imensa de devotos levando promessas, velas de cera e flores para deporem aos pés da Virgem mártir. A praia ornada de bandeiras, galhardetes e palmeiras plantadas de véspera, apresentava um aspecto festivo e loução, como diria frei Luiz de Sousa".
Vieira Fazenda


rioecultura Coluna Patrimônio Histórico - Igreja de Santa Luzia: Testemunha da evolução histórica do Rio

Quem vê hoje a Igreja de Santa Luzia, quase perdida entre altos edifícios e avenidas movimentadas, mal consegue imaginar que no passado ela situava-se em uma estreita faixa de terra entre o Morro do Castelo e o mar.

Nesta terça, 13 de dezembro, foi celebrado o dia de Santa Luzia e o templo recebeu dezenas de fiéis. Hoje homenageamos a igreja devotada à santa, testemunha da evolução histórica (e geográfica) do Rio de Janeiro.

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Primórdios da Devoção a Santa Luzia no Rio de Janeiro e a Capela primitiva

A devoção de Santa Luzia no Rio remonta aos primórdios da história da cidade. Em 13 de dezembro de 1519 - dia consagrado à santa - , a frota comandada pelo navegador português Fernão de Magalhães, notabilizado por ter organizado a primeira viagem de circum-navegação ao globo, chega à Baía do Rio de Janeiro, para reparar as embarcações, e batiza a Guanabara de Santa Luzia. Segundo conta uma das versões, Fernão de Magalhães teria erguido uma pequena capela de madeira à beira-mar, para se casar com uma nativa e lá teria depositado uma imagem de Nossa Senhora dos Navegantes.

É mais conhecida a versão de que a capela primitiva devotada à santa teria sido construída em 1559, por pescadores no sopé do Morro do Castelo, na chamada Praia da Piaçaba (ou Piaçava). Em 1592, frades franciscanos se estabeleceram na capela de Santa Luzia, permanecendo ali por 15 anos antes de mudarem-se para o Morro de Santo Antônio, onde construíram seu convento.

Segundo historiadores, a ermida primitiva de Santa Luzia não seria apontada para o mar, mas para o antigo prédio do Hospital da Santa Casa. Ainda no século XVII, a força das ondas obrigou o Governador Duarte Coelho a construir uma muralha protetora, que tinha início no antigo Forte de Santiago, diante da velha Santa Casa, chegando até a Capela de Santa Luzia.

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A Igreja original

No século XVIII, estando a capela primitiva praticamente em ruínas, cogitou-se a construção de uma igreja consagrada à santa. O local escolhido foi próximo de onde existia a ermida, em terreno doado por João Pereira Cabral. Em 1752 ocorreu a demolição da primitiva capela e teve início a construção da igreja, que inicialmente possuía apenas uma torre e uma entrada mais modesta que a atual.

Em 1817 foi aberta a Rua Santa Luzia por ordem de D.João VI. O monarca queria pagar uma promessa à santa pela cura de uma doença nos olhos de seu neto, D. Sebastião, mas o acesso, feito por pequenos becos que saíam do Largo da Misericórdia, na Ponta do Calabouço, era muito estreito, o que impossibilitava a passagem de carruagens.

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No século XIX aquela região recebeu melhorias com a saída do matadouro de bois que se situava ao lado da igreja, deslocado em 1853 para a região da Praça da Bandeira. Também foi extinto um cemitério para mendigos, pertencente ao Hospital da Santa Casa.

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A reforma de 1872

Em 1872, a Igreja de Santa Luzia ganhou uma grande remodelação, quando foi alterado o frontispício original (sendo instalado o frontão triangular, próprio do neoclassicismo), construídas duas novas torres mais altas e duas portas para a entrada, além de nova decoração interior (em estilo rococó tardio ou neoclássico), assinada por Antônio de Pádua e Castro. A reforma deu maior proporção à fachada, antes muito singela. As torres sineiras possuem portas, óculos, balaustradas e arremates bulbosos delgados e verticais revestidos de azulejos sugerindo a forma de minaretes. A cruz central e os sinos são em bronze trabalhado. Já o interior é formado por talhas de boa qualidade, com douramentos sobre fundo branco.

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Patrimônio

Entre o patrimônio da igreja destacam-se a imagem de Santa Luzia (de origem portuguesa do século XIX, com acessórios de prata, madeira policromada), a imagem de N.S.dos Navegantes (altar colateral), a imagem de São João Batista (altar colateral), o relevo de Santa Luzia no Céu (no alto do arco-cruzeiro, que separa a nave da capela-mor), a imagem de Santa Luzia (original da antiga capela, escultura portuguesa policromada trazida por Estácio de Sá em 1565, localizada no consistório), a imagem de Santo Elói (lado direito do altar); e a imagem de Santa Luzia em mármore de Carrara branco (na Sala das Promessas, nos fundos da igreja).

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A Praia de Santa Luzia e a demolição do Morro do Castelo

Até o início do século XX, a Praia de Santa Luzia, localizada de fronte ao templo histórico, era uma das mais concorridas da cidade, inicialmente como prática terapêutica, e posteriormente como hábito de lazer. Em 1905, o prefeito Pereira Passos mandou construir no local garagens para os barcos de clubes de remo. Também foram instalados vários balneários (casas de banho).

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Em 8 de janeiro de 1910, a revista Careta publicou uma página contendo quatro fotografias com cenas de banhistas na praia de Santa Luzia, como lembra Rosane Feijão no artigo "As praias cariocas no início do século XX: sociabilidade e espetáculos do corpo". Na dita praia eram comuns cordas e decks flutuantes para ajudar os banhistas.

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A partir de 1921, com a demolição do Morro do Castelo, por iniciativa do prefeito Carlos Sampaio, e a construção da Esplanada, ainda era possível ver a praia de Santa Luzia, mesmo com a diminuição expressiva da faixa de areia. Tão logo começaram os trabalhos de desmonte do Castelo, foram iniciadas as obras para o deslocamento da linha do mar, projeto para a realização da Exposição Internacional Comemorativa do 1º Centenário da Independência, aberta em 7 de setembro de 1922. A área destinada à “Avenida das Nações” se estendeu do Palácio Monroe até a Ponta do Calabouço. Na área proveniente do aterro ao mar foram construídos os pavilhões da Exposição.

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Os cinco milhões de metros cúbicos do morro foram usados para o aterro da região litorânea, construindo assim a sequência da Avenida Beira Mar, aberta na administração de Pereira Passos, indo da Praia de Santa Luzia até a Ponta do Russell, na Glória. Na década de 1940, a ampliação do aterro para a construção do Aeroporto Santos Dumont eliminou definitivamente o que restava da praia.

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Fontes de Consulta:
Vieira Fazenda em Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro. 12 de Dezembro de 1896.
Augusto Maurício - Templos Históricos do Rio de Janeiro.
Rosane Feijão no artigo "As praias cariocas no início do século XX: sociabilidade e espetáculos do corpo".
Site http://www.rioquepassou.com.br/
Site http://brasilianafotografica.bn.br
Site http://riodejaneirofotosantigas.blogspot.com.br
Blog Histórias e Monumentos
Site http://www.santaluziadagente.com.br/historia.php
Site http://www.riodejaneiroaqui.com
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