rioecultura rioecultura
Facebook Twitter Pinterest Picasa Instagram
EXPOSIÇÕES EVENTOS LOCAIS CULTURAIS COLUNISTAS ARTIGOS MATÉRIAS NOTÍCIAS INSTITUCIONAL COLABORADORES CONTATO
TRANSLATE THIS WEBSITE
COLUNA PATRIMÔNIO HISTÓRICO
Leonardo Ladeira ladleo@gmail.com
rioecultura Coluna Patrimônio Histórico Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens

Muita gente que circula apressadamente pela Rua da Alfândega, no Centro do Rio, muitas vezes não percebe a existência de uma pequena igreja comprimida entre altos edifícios comerciais da região. Trata-se da graciosa Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens, cuja origem está relacionada a um oratório que, desde fins do século XVII, reunia um grande número de devotos para rezar o terço nas proximidades do local onde hoje está o templo. Em 1750 foi constituída a Irmandade de N.S. Mãe dos Homens, formada por pequenos comerciantes e moradores da região. A devoção à santa é originária da cidade de Lisboa, em Portugal.

rioecultura Coluna Patrimônio Histórico Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens

As obras da Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens foram iniciadas em 1758, a partir do risco do brigadeiro português José Fernandes Pinto Alpoim. Por falta de recursos, o templo foi construído em um terreno estreito e as obras se prolongaram por anos, sendo finalizada apenas em 1803, com a conclusão da torre da direita, que traz um pináculo revestido de azulejo português, encimada por um galo de bronze. A torre da esquerda permaneceu inacabada, na altura das sineiras. Toda a fachada foi refeita em estilo neoclássico entre 1856 e 1863, pelo arquiteto Francisco Joaquim Bethencourt da Silva. No terreno do fundo da igreja, que ia até a Rua do Sabão (depois General Câmara, e agora Av. Presidente Vargas), situava-se o cemitério, extinto em 1850.

rioecultura Coluna Patrimônio Histórico Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens

Decoração Interna

A nave da Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens possui dois altares laterais, quatro tribunas e a capela-mor. O trabalho de talha da igreja foi encomendado a um dos principais mestres do Rio de Janeiro no período: Inácio Ferreira Pinto, que executou o entalhamento em 1789/1790, ou seja, 30 anos depois do início da construção do templo. O visitante pode perceber claramente as diferenças de épocas de sua elaboração. O retábulo da capela-mor, a talha do arco cruzeiro e o coro do segundo pavimento, trabalhos de Inácio, apresentam feição rococó, destacando-se pela sinuosidade.

Já os altares laterais e o púlpito são do século XIX e apesar de se harmonizarem com os elementos e com o espírito da talha rococó, trazem características próprias do neoclássico, como simplicidade e simetria. A decoração dos altares laterais e púlpitos, realizada entre 1852 e 1857, foi assinada por Antônio de Pádua e Castro.

rioecultura Coluna Patrimônio Histórico Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens

O interior do templo foi registrado pelo pintor Jean Baptiste Debret, membro da Missão Artística Francesa trazida ao Brasil por D.João VI no início do século XIX. Na tela, Debret descreve uma cena religiosa que se passa no interior da Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens. Na manhã de quarta-feira de cinzas, fiéis aguardam a confissão e a comunhão sentados no chão, sobre sepulturas. Os poucos bancos que existiam eram destinados à elite senhorial.

rioecultura Coluna Patrimônio Histórico Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens

Patrimônio Artístico

Entre o patrimônio artístico da igreja destacam-se a imagem de Nossa Senhora Mãe dos Homens (no altar do consistório), de madeira policromada e dourada do século XVIII; as imagens de Nossa Senhora Mãe dos Homens (no altar-mor e na sacristia), as imagens de São José (altar-lateral à esq.) e da Sagrada Família (altar-lateral à dir.); a capela-mor com retábulos e arco-cruzeiro de Inácio Ferreira Pinto; os púlpitos, de Antônio de Pádua e Castro; o arcaz em jacarandá de 1691 (sacristia), de autoria de Frei Domingos da Conceição; os portões em serralharia (século XIX), o lavabo em mármore (século XIX); e as pinturas do teto e dos painéis laterais da capela-mor, de autoria de Joaquim Lopes de Barros Cabral Teive. A decoração da capela-mor inclui ainda quatro tribunas com rica decoração rococó.

rioecultura Coluna Patrimônio Histórico Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens

No entanto, ao visitarmos a construção, percebemos que é urgente a necessidade de uma restauração das pinturas e dos ornatos de talha. Segundo a historiadora da arte Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, "Apesar das pesadas repinturas que mascaram os contornos dos ornatos de talha, a Mãe dos Homens é ainda uma pequena joia do rococó carioca e talvez o exemplo mais significativo do estilo pessoal de Inácio Ferreira Pinto, que nela trabalhou de forma mais livre do que nas igrejas conventuais do Carmo e São Bento, por se tratar de uma igreja de irmandade". Nancy Regina Mathias Rabelo, doutoranda da Universidade Federal do Rio de Janeiro/CEFET-RJ, também lamenta a atual condição dos trabalhos de talha de Mestre Inácio: "Hoje, constata-se nesta obra sobrecarga de pintura, e o douramento está longe da delicada técnica primitiva".



O Refúgio de Tiradentes
Uma nota curiosa a respeito da Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens é o fato do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, um dos líderes da Inconfidência Mineira, ter se escondido em uma dependência desse templo por algumas semanas, entre abril e maio de 1789. Como o local era muito frequentado, o alferes resolveu mudar seu esconderijo para a casa de um amigo, na Rua dos Latoeiros, atual Gonçalves Dias, onde foi finalmente preso em 10 de maio de 1789 e levado para a Ilha das Cobras.



Visitação:
Rua da Alfândega, 54, Centro – Rio de Janeiro – RJ.
Segunda a sexta-feira, das 7h às 15h.

Fotos:
Alexandre Siqueira
Leo Ladeira

Fontes de Consulta:
* Barroco e Rococó nas Igrejas do Rio de Janeiro Vol. 2. Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira e Fátima Justiniano.
* Templos Históricos do Rio de Janeiro. Augusto Maurício.
* A Obra de Talha Religiosa de Mestre Inácio no Rio de Janeiro Setecentista: Modernidade e tradições barrocas". Nancy Regina Mathias Rabelo.
* Arquitetura Religiosa Colonial no Rio de Janeiro. Sandra Alvim.
* “O Barroco Carioca” - Júlio César Machado - RioArte e GRD – 1987.
* Folder “Igrejas do Centro Histórico do Rio de Janeiro” - IPHAN - Ministério da Cultura – 1997.
* Guia das Igrejas Históricas da Cidade do Rio de Janeiro” - Prefeitura do RJ - IPLAN Rio – 1997.
compartilhe subir a página
Postagens

Julio Biar [MPB]

Leo Ladeira [Patrimônio Histórico]

Marcelo Aouila [Teatro]

Seu nome:

Comentário:

Observação:
Verifique o texto antes de enviá-lo, pois não será possível modificá-lo ou apagá-lo após o registro.

ATENÇÃO: O seu comentário não será postado automaticamente. Ele passará por uma aprovação antes de ser publicado.



Seja o primeiro a comentar!
Escreva ao lado sua opinião.

Dados do(a) amigo(a):
Nome:
E-mail:
Mensagem:

Seus dados:
Seu nome:
Seu e-mail:
  voltarsubir
© Copyright 2008-2013 Rio&Cultura
SIMETRIA Arte e Comunicação desenvolve este site

Clicky Web Analytics
Rio&Cultura