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COLUNA PATRIMÔNIO HISTÓRICO
Leonardo Ladeira ladleo@gmail.com
Quem passa diariamente pela rua Uruguaiana certamente não deixa de notar o intenso entra e sai de fiéis na Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito.

rioecultura : IGREJA DO ROSÁRIO : Coluna Patrimônio Histórico

Construída no início do século XVIII, a igreja, uma das mais populares da cidade, teve sua história marcada por acontecimentos históricos importantes. Foi dali que, em 1822, saiu uma comitiva para pedir que D.Pedro I permanecesse no Brasil, no episódio conhecido como “Dia do Fico”.

A Igreja funcionou como Sé por mais de 70 anos e nela foi realizada a missa solene pela chegada da Família Real no Rio de Janeiro, em 1808. No início do século XX, o abolicionista José do Patrocínio foi velado no interior do templo.

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A Igreja do Rosário foi também uma das primeiras na cidade a ser constituída por uma irmandade de homens negros. A maior parte dos membros da irmandade era formada por comerciantes, principalmente alfaiates e sapateiros, mas havia também figuras ilustres, como o Padre José Maurício Nunes Garcia e os artistas Mestre Valentim, José Leandro de Carvalho e Francisco de Paula, todos mulatos.

Outro capítulo importante da história da Igreja do Rosário é o das festas promovidas pela irmandade. As famosas congadas, com desfile de reis e rainhas, seguidos de músicos e dançarinos, são vistas por alguns como precursoras dos blocos de carnaval e chegaram a ser proibidas por lei.

Incêndio muda feição da Igreja

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Igreja do Rosário antes do incêndio
Em 1967, num sábado de Aleluia, uma tragédia se abateu sobre a igreja colonial: um violento incêndio destruiu grande parte do templo e 17 casas comerciais vizinhas. O incêndio durou cinco horas e teve início em uma lanchonete, situada no Beco do Rosário.

No dia seguinte, uma multidão de curiosos e fiéis se acotovelava em frente à igreja para ver o que sobrevivera ao sinistro. Apenas as paredes exteriores do prédio ficaram de pé. Muitos lamentavam a perda total dos tesouros da igreja: desapareceram com o incêndio todas as imagens de madeira, altares, pinturas e o rico mobiliário, que incluía a cadeira onde costumava se sentar a Princesa Isabel. O jornal Última Hora de 28/03/67 anunciava em letras garrafais: “Um tesouro virou cinza”.

As obras de reconstrução da igreja foram iniciadas alguns meses depois. O projeto da nova nave e do altar-mor ficaram a cargo de Lúcio Costa. Em 1972 a igreja foi oficialmente reinaugurada, mas em 1977 sofreria novos danos na época da construção do metrô, quando surgiram infiltrações e rachaduras.

Até os dias de hoje, a Igreja do Rosário atrai grande número de fiéis, não só para assistir as missas, mas também para acender velas na sala das almas e rezar para a Escrava Anastácia e outros ícones negros no pequeno museu anexo à igreja.

Lápide de Mestre Valentim

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Ao entrar na Igreja do Rosário, o visitante pode perceber, na parede, ao lado direito, próximo à porta, uma lápide de bronze em homenagem ao escultor Mestre Valentim, que era membro da Irmandade do Rosário e ali foi enterrado.

A lápide foi colocada no túmulo de Valentim em 1913, na Igreja do Rosário, na gestão do prefeito Bento Ribeiro. A placa de bronze foi executada por Adalberto Mattos e foi inaugurada no dia do centenário de Valentim (1º de março de 1913), depois da cerimônia de inauguração do busto do artista no Passeio Público.

A placa traz a efígie do artista num medalhão e os dizeres: “Nesta Egreja a 1º de Março de 1813 foi sepultado Valentim da Fonseca e Silva, o Mestre da Arte Colonial no Rio de Janeiro. Homenagem prestada no dia 1º de Março de 1913, em que a Municipalidade, sendo Prefeito o Ex.mo. Sr. Gen.Bento Ribeiro Monteiro, inaugurou no Passeio Público a herma com o busto do grande artista como preito aos seus serviços e comemorando o Centenário de sua morte”.

Características

Fachada: Foi remodelada em meados do século XIX, tendo sido conservada a portada em lioz encimada por medalhão da padroeira. O corpo central é ladeado por duas torres sineiras coroadas por bulbos. A portada é em estilo maneirista em cantaria e se destaca pela qualidade da composição.

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Interior: Não possui qualquer elemento decorativo antigo. O projeto de reconstrução após o incêndio de 1967 despiu de ornatos a nave, dando ao edifício uma atmosfera de peso e monumentalidade. O aspecto é despojado, com paredes e teto pintados de branco, e abóbadas de berço em concreto. Os altares, tribunas e o coro também foram refeitos em concreto aparente. As tribunas da capela-mor foram guarnecidas com treliças em madeira.

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Planta: Nave única retangular e capela-mor bastante ampla. Dois corredores e dois andares no lado esquerdo.

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Fontes de Consulta:

Arquivo Noronha Santos (IPHAN)

- “Um tesouro virou cinza” - Jornal Última Hora - 28/03/67

- “Arquitetura Religiosa Colonial no Rio de Janeiro”
Sandra Alvim – Edit.UFRJ / IPHAN / Pref.do RJ - 1997
- “O Barroco Carioca”
Júlio César Machado - RioArte e GRD – 1987

- Folder: “ Igrejas do Centro Histórico do Rio de Janeiro”
IPHAN - Ministério da Cultura – 1997

- “Guia das Igrejas Históricas da Cidade do Rio de Janeiro”
Prefeitura do RJ - IPLAN Rio – 1997

- Site Passeio Público

Fotos:
- Flickr de Claudio Lara
- O Globo Bairros
- Blog Foi um Rio que Passou
- Acervo pessoal Leonardo Ladeira
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Pena que a igrela perdeu todo o seu ornamento interno por causa do incêndio. Podiam restaurar...
  Postado por: Fabrício
  em: 2010-05-04 11:48:37

Vale lembrar que o museu com todos os percalços está em reforma estará aberto ao publico a partir de 24/01/2014, com novas exposições e um programa para 2014 com muitas palestras, exposições etc.
  Postado por: Ricardo
  em: 2014-01-14 18:17:01


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