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COLUNA PATRIMÔNIO HISTÓRICO
Leonardo Ladeira ladleo@gmail.com
Quem circula pela Praça Tiradentes, no Centro do Rio, nos dias de hoje, não imagina que aquela região chegou a ser comparada à Broadway por sua intensa movimentação teatral. A Praça foi, desde o início do século XIX, um efervescente centro da vida noturna carioca. Dos vários teatros, cinemas e casas de diversão que ali existiam só restaram dois: O João Caetano e o Carlos Gomes.

Vamos conhecer um pouco da história do Teatro Carlos Gomes, que possui uma trajetória de quase 140 anos de entretenimento.

rioecultura : Teatro Carlos Gomes: Patrimônio Artístico Carioca : Coluna Patrimônio Histórico

O Cassino Franco Brasileiro

Construído em 1872, o Teatro Carlos Gomes recebeu originalmente o nome de Teatro Cassino Franco Brasileiro (ou Casino Franco-Brésilien). Foi inaugurado em 1º de fevereiro daquele ano e situava-se esquina da Praça da Constituição (atual Tiradentes) com a Rua do Espírito Santo (atual Pedro I), em frente ao hoje inexistente Hotel Richelieu.

O teatro foi sempre de propriedade particular e a primeira notícia que se tem faz referência a João Bráulio Muniz como sendo seu proprietário.

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Teatro Carlos Gomes - 1928

Segundo Lafayette Silva, tratava-se de “uma sala fresca e agradável, aberta pelos lados sobre o jardim que a cercava. Por sobre a plateia corria uma galeria única, em cujas extremidades se formavam os camarotes”.

No Franco Brasileiro foram apresentadas peças como “A Baronesa de Caiapó”, “O Capadócio” (paródia da ópera “O Trovador”), entre outras.

O Teatro Santana

Em 1880, após ser reformado, o teatro passou a se chamar Santana (ou Theatro Sant´Anna), em homenagem à mulher do novo proprietário, Pedro Ferreira de Oliveira Amorim.

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Teatro Carlos Gomes - 1931

Nesta época foram ali apresentados espetáculos como “A Mulher Homem” e “Céu e Inferno”, ambos com música de Chiquinha Gonzaga; “A Dama de Ouros”, com a companhia da atriz Ismênia Santos; entre outros.

O Carlos Gomes

Em 1904, o Teatro Santana foi adquirido pelo empresário do entretenimento Paschoal Segreto. No ano seguinte, a casa foi reinaugurada com o nome de Carlos Gomes, em homenagem ao mais importante compositor de ópera brasileiro, autor de ‘O Guarani’.

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Paschoal Segreto deu um novo significado ao local, montando, num pátio, um bar que trazia as populares mesas e cadeiras da Brahma, além de um pequeno parque de diversões, o Tiro Federal.

A primeira atração do Teatro Carlos Gomes não foi uma peça, mas um filme. No entanto, foi com o teatro de revista que a casa viveu seus dias de glória. Peças como “O Maxixe”, “Os Dragões da Independência” e “Onde Está o Gato?” levavam ao local nomes como Otília Amorim e Margarida Max, estrelas da época.

Primeiro incêndio e reconstrução

Em 1929, o Teatro Carlos Gomes sofreu o primeiro de seus vários incêndios. Na manhã de 27 de agosto daquele ano, o velho casarão foi totalmente destruído por um incêndio, só deixando de pé as colunas de ferro que formavam a base do teatro e sustentavam os camarotes e galerias.

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Segundo o Centro Técnico de Artes Cênicas, a causa do sinistro foi atribuída a operários da Light que, com maçarico aceso, faziam reparos na instalação elétrica. Ainda segundo o relato do CTAC, “o incêndio consternou a cidade e a classe teatral.

A Casa dos Artistas fez um apelo às companhias que se achavam trabalhando para que, cada uma das pessoas empregadas, cedessem um dia de serviço, em favor do pessoal da Companhia Margarida Max”, que ocupava o Teatro com a exitosa temporada da peça de Luiz Iglesias, “Onde está o Gato?”. rioecultura : Teatro Carlos Gomes: Patrimônio Artístico Carioca : Coluna Patrimônio Histórico

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O antigo prédio foi demolido e reconstruído em estilo art-déco, próprio dos anos 30. A reinauguração ocorreu em 1932. Paschoal Segreto construiu sobre o teatro apartamentos que hoje são usados como salas comerciais.

Nesta época forma encenados no Teatro vários sucessos, tais como as revistas da Companhia Tro-lo-ló, de Jardel Jércolis e José do Patrocínio Filho, que traziam belas coristas, as girls, além de atores como Oscarito, Aracy Cortes, Eva Todor, Lódia Silva, Grande Otelo e Mesquitinha.

Novos incêndios e projetos de renovação

Em 1950 e 1960, o Teatro Carlos Gomes voltou a ser incendiado. Além dos sinistros, a casa passou por diversas fases e projetos de renovação. Em 1955 e 1963, quase foi transformada em cinema, o que promoveu um protesto da classe teatral.

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Em 1984, por pouco foi demolido para a construção de um hotel. Nessa época foi pedido o tombamento do Teatro por sua importância histórico-cultural.

Em 1985, iniciou-se uma grande reforma, sob comando de Orlando Miranda. Em 1988, o Teatro foi comprado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, sendo restaurado e entregue ao público em 1992.

Por ali não apenas passaram grandes artistas brasileiros, como Vicente Celestino, Dulcina de Moraes, Celeste Aída, Dercy Gonçalves e Procópio Ferreira, mas foram encenadas montagens históricas, como “My Fair Lady”, “Hello Dolly” e “Gota D´Água”, as três estreladas por Bibi Ferreira; “A Raposa e as Uvas”, com Sérgio Cardoso, “A Mulher Sem Pecado”, de Nelson Rodrigues; e “Miss Banana”, com Regina Duarte.

Recentemente o Teatro brilhou com a remontagem de “Ópera do Malandro”, de Chico Buarque, que ganhou versão da dupla Charles Möeller & Claudio Botelho.

Detalhes Arquitetônicos

O Teatro Carlos Gomes é uma jóia do estilo Art-Déco no Rio de Janeiro.

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Na sua fachada pode-se ver o coroamento em “tiara”, um recurso típico deste estilo.

Por todo o edifício são vistos detalhes de época: luminárias, vidraças, letreiros, pisos, detalhes em mármore, painéis...

Da próxima vez que for ao Carlos Gomes não deixe de apreciar esse belo patrimônio carioca!

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Por Leo Ladeira
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Fontes de Consulta:
- “Fora do Sério – Um Panorama do Teatro de Revista no Brasil” – Delson Antunes
- “Patrimônio Cultural – Bens Tombados pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro”. 1996.
- “Rio Antigo – Roteiro Turístico-Cultural”. 1979.
- “Guia da Arquitetura Art-Déco no Rio de Janeiro”
- “Praça Tiradentes” – Roberta Oliveira.
- “Artistas de Outras Eras” – Lafayette Silva.
- “As Freguesias do Rio Antigo” – Noronha Santos.
- “O Anjo Pornográfico” – Ruy Castro.
- “Chiquinha Gonzaga – Uma História de Vida” – Edinha Diniz
- “Um passeio pela Praça Tiradentes” – Jornal do Brasil – 14/09/97
- Site Teatros do Centro Histórico do Rio de Janeiro
- Fotolog Rio de Fotos
- Fotos recentes do Teatro Carlos Gomes: Leo Ladeira e Alexandre Siqueira
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O teatro Carlos Gomes é um espetáculo a parte. Nem precisa necessariamente ir assistir uma peça de teatro, basta mergulhar naquele espaço maravilhoso. No entanto algo foge completamente ao meu entendimento: por que ele é tão mal utilizado? Aquele espaço na parte superior, LINDÍSSIMO , não só fica fechado, COMO É PROIBIDO SUBIR PARA APRECIAR AQUELA MARAVILHA! Como não colocar ali um café, um cantinho para que o público pudesse conversar, fazer um lanche antes do espetáculo, curtir aquele clima de começo de século XX, viajar no tempo... Seria antes de tudo UMA FONTE DE RENDA, caso não se queira falar em termos culturais. Será que só eu penso nisso? Por favor, vamos fazer uma campanha pela revitalização de todo esse espaço ESPLENDOROSO!!!!! Obrigada, Marisa Sá.
  Postado por: Marisa Sá
  em: 2010-06-19 10:56:39

LINDO MUITO LINDO!!!
  Postado por: IARA ALMEIDA
  em: 2013-06-20 12:32:13

maravilha
  Postado por: nilton de souza moraes
  em: 2015-01-08 09:13:39

Muitas recordações e saudade do teatro Carlos Gomes. Abril de 1955: Voltando ao Rio apos a temporada em São Paulo e Santos da Cia de revistas Valter Pinto com a peça "Eu quero me badalar" onde eu trabalhava como bailarino, no aguardo dos ensaios da nova peças, cada noite, durantes semanas ia ao teatro Carlos Gomes assistir as operetas com Vicente Celestino. Parabens pela biografia do teatro, não se deve esquecer-lo!
  Postado por: Michel eugene Pellet
  em: 2017-02-01 16:53:52


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