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COLUNA PATRIMÔNIO HISTÓRICO
Leonardo Ladeira ladleo@gmail.com
"Rio de Janeiro de ruas estreitas, de vielas imundas, quase sem árvores para fazer a sombra das calçadas"

Com a frase acima, o jornalista e escritor João do Rio, um dos mais importantes e mordazes cronistas cariocas, descreveu a aparência da cidade, no início do século XX.

rioecultura : Antigos becos e vielas do Centro do Rio : Coluna Patrimônio Histórico
Ilustração representativa da Rua da Misericórdia e, ao lado, o Beco do Bragança

O Rio a que João do Rio se referia era o anterior às reformas urbanas empreendidas pelo prefeito Pereira Passos, caracterizado ainda por uma feição colonial, mesmo havendo sofrido algumas melhorias na época do Império.

A cidade do Rio de Janeiro desenvolveu-se livremente, sem planejamento urbanístico. A urbe possuía estilo árabe, de inspiração mourisca: as ruas eram estreitas, sinuosas, o casario era irregular e existiam muitas casas de rótulas e gelosias.

rioecultura : Antigos becos e vielas do Centro do Rio : Coluna Patrimônio Histórico
Ilustração representativa Antigo Beco da Fidalga e, ao lado, o Beco das Cancelas

Os detritos da população eram despejados em calhas ao ar livre, o que tornava as ruas fétidas e pestilentas. As calhas ficavam no meio da rua, a 60 cm abaixo do nível das laterais. Só após a chegada de D.João VI e da corte portuguesa, o aspecto das ruas seria melhorado. Nesta época foram construídas calçadas de pedra e passeios para que o transeunte não tivesse contato direto com a imundície.

Entre o traçado urbanístico da cidade proliferavam sinuosos becos e ruelas, que eram inúmeros no período colonial e alcançaram o início do século XX.

O escritor Luiz Edmundo descreveu o aspecto dessas vias: "As ruelas que se multiplicam para os lados da Misericórdia - Cotovelo, Fidalga, Ferreiros, Música, Moura e Batalha - são estreitas, com pouco mais de metro e meio de largura. São sulcos tenebrosos que cheiram a mofo, a pau-de-galinheiro, a sardinha frita e suor humano".

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Ilustração representativa da Rua colonial e, ao lado, o Beco dos Barbeiros

Os becos do bairro da Misericórdia, no sopé do Morro do Castelo, não existem mais, assim como dezenas de travessas e vielas do Centro da cidade. Ainda assim é possível nos dias de hoje conhecer algumas amostras desses becos, como o dos Barbeiros, do Bragança, das Cancelas e dos Carmelitas, que sobreviveram às sucessivas reformas urbanísticas do Centro e tornaram-se últimos vestígios da urbe antiga.

Passeemos por alguns dos últimos becos do Rio colonial...

Beco dos Barbeiros
rioecultura : Antigos becos e vielas do Centro do Rio : Coluna Patrimônio Histórico

Localiza-se entre as ruas Primeiro de Março e do Carmo. Foi aberto no período colonial, pela Ordem Terceira do Carmo, por exigência da Câmara Municipal. Tem esse nome por ter sido ocupado durante anos por negros barbeiros ambulantes, que possuíam até banda de música. O beco é calçado com grandes blocos de pedra, onde podem ser vistas as antigas calhas de ferro trabalhado para o escoamento das águas pluviais da Igreja da Ordem Terceira do Carmo. Em certo momento, cogitou-se mudar o nome do beco para Travessa Onze de Agosto, em homenagem à data de criação dos cursos jurídicos no Brasil. Mas a população não aceitou e continuou chamando a estreita rua de Beco dos Barbeiros, nome definitivamente oficializado em 1965. Muito procurado é o bar Escondidinho, localizado no número 12 do beco.

Beco das Cancelas
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É considerada a menor e mais estreita das ruas do Rio. Liga a Rua do Ouvidor à do Rosário. Tem esse nome porque ali havia duas cancelas que fechavam a rua e só abriam durante o dia. No Beco das Cancelas funcionou o famoso Café Cascata, o primeiro café carioca a contratar garçonetes. O prédio desabou em 1897, mas foi logo reerguido. Outro café famoso do local foi o Amorim, freqüentado por banqueiros, tabeliães e comendadores e dono da fama de "um dos melhores cafezinhos da cidade". Na esquina do beco com a Rua do Ouvidor existia uma bela casa azulejada que sediou uma agência de loterias de Camões & Cia.

Beco do Bragança
Outra estreita via pública da cidade. Liga a Rua Primeiro de Março à Rua da Quitanda. Foi chamado por um tempo de Rua dos Quartéis, porque ali se instalaram, em 1615, as primeiras guarnições dos navios de guerra defensores da Baía da Guanabara. A viela chamou-se ainda Beco Manuel André e Beco Manuel Lopes, nomes de proprietários de casas ali localizadas. Um dos personagens famosos que habitou o Beco do Bragança foi a cantora Carmen Miranda. Assim que chegou ao Rio, em 1910, a família de Carmen foi morar em uma pensão na esquina da Rua da Candelária com o Beco do Bragança. A família ficou ali até 1915, quando se mudou para a Rua Joaquim Silva, na Lapa.

Beco dos Carmelitas
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Ganhou esse nome por se localizar próximo à Igreja de N.S.do Carmo da Lapa do Desterro. Tinha má fama por ser freqüentado por malandros e prostitutas da Lapa. Em compensação, por aquelas vielas transitaram nomes como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Heitor Villas-Lobos, Di Cavalcanti, Ismael Nery, Lúcio Rangel, Mário Lago e Noel Rosa. O poeta pernambucano Manuel Bandeira também freqüentava o local, pois morava na Rua Moraes e Valle, bem em frente ao Beco dos Carmelitas. De sua janela, Bandeira contemplava o beco sujo onde viviam lavadeiras, costureiras e garçons dos cafés do Centro. Foi ali que Bandeira escreveu os poemas de Estrela da Manhã (1936) e Lira dos Cinqüenta Anos (1940).



Fontes de Consulta:
• A Alma Encantadora das Ruas – João do Rio
• O Rio de Janeiro do Meu Tempo - Luiz Edmundo
• Rio Antigo - Turístico-Cultural do Centro da Cidade – 1979
• Acervo Flickr Xiquo
• Acervo Flickr Leandro Moreira
• Site Boemia e Nostalgia
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Amo este site e tudo que ele nos apresenta. Pura cultura, para deleite dos que amam o Rio de Janeiro e sua historia. Parabéns e que continuemos juntos em 2011,numa parceiria que só faz bem a todos.
  Postado por: mercia salsa
  em: 2010-12-30 22:56:10

O Beco das Cancelas liga Rua do Rosário à Rua Buenos Aires e não a Rua do Ouvidor.
  Postado por: Ana Lúcia
  em: 2014-02-26 13:19:19


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