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Expressões na madeira: família Antônio de Dedé
rioecultura : EXPO Expressões na madeira: família Antônio de Dedé : Sala do Artista Popular - Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP)
ABERTURA:
14 de dezembro de 2010
ENCERRAMENTO:
16 de janeiro de 2011
LOCAL:
Sala do Artista Popular - Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP)
Rua do Catete, 179 e 181
Catete
(21) 2285-2545
FUNCIONAMENTO:
de 3ª a 6ª feira, das 11h às 18h
Sábados, domingos e feriados, das 15h às 18h
INGRESSO:
Entrada Franca
Atenção: os horários e a programação podem ser alterados pelo local sem aviso prévio. Por isso, é recomendável confirmar as informações por telefone antes de sair.
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Com venda de esculturas em madeira produzidas por integrantes da família, da localidade de Vila de Santa Izabel, em Lagoa da Canoa (AL), a mostra conta com o patrocínio da Caixa Econômica Federal.

Lagoa da Canoa, município próximo de Arapiraca, é conhecido por seus filhos ilustres, o músico Hermeto Pascoal e o goleiro Dida, que jogou pela seleção brasileira, e também pelo clima de verão seco e atividade econômica com forte ênfase na plantação de fumo. Nos últimos anos vem se tornando conhecido também no campo das artes populares, por meio de nomes como os de Antônio de Dedé e seus filhos, e da cerâmica utilitária da comunidade de Lagoa do Mato.

As esculturas da família caracterizam-se pelo entalhe preciso e a forte expressão impressa na face de seus “personagens”. A faca batida com enxó desenha na madeira corpos em geral alongados, inspirados no contexto que os cerca. Um vasto repertório que inclui animais, personagens religiosos e figuras humanas ganham formas e cores vivas - e/ou espelham os traços da madeira polida -, traduzindo um mundo recriado pela imaginação desses artífices, por meio de uma habilidade que afirmam ser oriunda de um “dom da natureza” descoberto ao acaso.

A exposição apresenta o trabalho dessa família de escultores que aos poucos vem ganhando notoriedade no campo das artes populares no país. Expõe uma amostra do variado repertório de imagens produzidas por eles, buscando chamar a atenção do visitante não apenas para o seu forte apelo estético, mas também os sentidos e biografias por trás do entalhe de cada uma delas.

Produção

Os processos de produção da família guardam muitas características em comum. O resultado, no entanto, apresenta peculiaridades no repertório de imagens e traço de cada um, além do modo como assinam suas peças, imprimindo-lhes uma marca pessoal. “Personagens”, “bonecos”, “pecinhas” são formas carinhosas por meio das quais se referem a seu trabalho, que classificam também como “arte na madeira”. A noção de arte é entendida como toda e qualquer forma de produção e criação envolvendo, assim, várias dimensões da vida social. A confecção é descrita como um trabalho duro. Exige tempo, dedicação e esforço físico no entalhe.

Em geral a confecção das peças é conjugada com a realização de uma série de outros atividades, como o trabalho nas roças, empresas da região, cuidar da família e filhos. Ainda não é possível viver da prática escultórica, segundo afirmam. Há que se desdobrar em múltiplos ofícios. Por isso, o tempo de fabrico de um “personagem” pode variar de um dia a duas semanas de acordo com o artista e as demandas das demais atividades que exercem.

Inicialmente os “bonecos” eram feitos na casa de Antônio de Dedé, tornando a “arte na madeira” também um mecanismo de sociabilidade doméstica. Aos poucos, à medida que os filhos foram se casando e saindo para assumirem suas famílias, passaram a produzir em suas próprias residências. A casa do pai, no entanto, permanece como um núcleo familiar da produção. A presença dos filhos é constante, e os contatos, encomendas e em certa medida armazenagem de peças passam por lá.

A obtenção da matéria-prima é narrada como uma das principais dificuldades. A madeira é cada vez mais difícil de conseguir. Por isso em geral, pedem aos interessados em seus trabalhos que lhes tragam. A jaqueira é das mais usadas. O fato de ser dura e resistente garante maior durabilidade de suas obras. Para o entalhe, um pequeno leque de ferramentas obtidas no comércio local. O serrote acerta a madeira no tamanho bruto da peça. A faca batida com enxó começa a dar forma ao personagem; o formão entra em cena para fazer olhos e furar o local de encaixe de braços e pernas; glosa, lixa, espátula, cola entram em cena para dar acabamento. Ao fim reveste-se de cores que dão maior vivacidade aos “personagens”, que podem também aparecer na cor da madeira polida ressaltando suas fibras.

A família de escultores

Trabalho e família. Essas são as duas categorias por intermédio das quais Antônio de Dedé, Antônio Alves dos Santos, 57 anos, narra sua história. Natural de Lagoa da Canoa, pouco saiu dali. De sorriso fácil e munido do inseparável chapéu, é o mais velho de cinco irmãos. Começou a acompanhar o pai no trabalho de carpintaria e roçado das fazendas da região aos oito anos de idade. Devia auxiliar a garantir o sustento da família. Desde então se divide em diversos ofícios num local onde as poucas oportunidades de trabalho surgem de acordo com as sazonalidades do ano. Daí afirmar com frequência: “o homem que vive de uma arte só está morto.”

Quando jovem, para se divertir, assistia às festas de guerreiro e reisado, manifestações tradicionais alagoanas. Além disso, frequentava os bailes da região. Gostava de dançar. Hoje não mais. A esposa e companheira de mais de 30 anos de vida conjugal, “seguiu a viagem” a cerca de quatro anos, deixando saudades. Pai zeloso, tem como principal preocupação o futuro dos seus. A família é extensa. Nove filhos. O mais velho, 32 anos, a mais nova, nove. Os filhos já começaram a assumir suas vidas, casar, sair de casa e a trazer os primeiros netos.

Dedé atribui sua habilidade escultórica à um “dom da natureza”. Algo que veio a tona a partir do olhar e vontade de recriar a seu modo o trabalho do pai. Uma dádiva recebida geracionalmente e que hoje transmite a seus filhos. Começou a fazer suas primeiras “traquinagens”, como diz, também aos oito anos. Carrinhos e aviões de madeira e/ou lata eram o repertorio preferido. Logo surgiram os primeiros interessados, as outras crianças, encantadas com os brinquedos. Aprimorou sua técnica, ampliou seu leque de personagens que deixava expostos na estante de sua casa. Forma de mostrar seu trabalho aos passantes que podiam vê-los pela fresta da porta.

Seu nome começou a circular localmente como um “fazedor de bonecos”. Com essa repercussão local surgiram as primeiras, porém esporádicas encomendas, oriundas sobretudo das “casas de mãe de santo”. Há pouco mais de três anos, no entanto, afirma ter sido “descoberto”. Tal descoberta refere-se à chegada de compradores externos e ligados ao universo da arte popular que começaram a adquirir e divulgar o seu trabalho numa escala nacional. Desde então seu trabalho, e mais recentemente o de sua família, vem se destacando nessa seara pelas formas, sentidos e alto grau inventivo.

Antônio José, conhecido também como Zé Antônio, 22 anos, ao ver o pai dar forma e vida a personagens, animais e outras figuras na madeira, se sentiu instigado por essa forma de arte. As características de sua atividade escultórica se valeram também de outra habilidade. Desde criança sempre gostou de desenhar. Na adolescência estudou desenho e pintura. O repertório de Antônio José apresenta principalmente figuras humanas e animais. Dedica especial atenção, no entanto, à produção de santos. Nossa Senhora, São Jorge e São Francisco, os mais frequentes.

Segundo Antônio José, sua produção se divide em duas categorias: peças de encomenda, quando recebe de seu comprador o tema e especificidades com os quais deve trabalhar; peças “criativas”, quando produz a seu modo, criando modelos diferentes. O gosto pelo trabalho pode ser visto em sua própria casa. Quando prontas, algumas peças são dispostas no espaço doméstico como decoração. Buscando ampliar a rede familiar de artistas, vem incentivando sua esposa no trabalho. Acredita que em breve ela estará também fazendo suas peças.

Maurício, 15 anos, segue caminho parecido com o do irmão. Dos escultores é o único que ainda mora com o pai. Normalmente trabalha em suas peças no intervalo entre a escola e alguma atividade na roça durante a tarde. Os personagens preferidos dialogam com o mundo das profissões.

Maria Cícera capitaneou a produção familiar feminina. Aos 25 anos, mora no bairro de São Luiz, cerca de 20 minutos da casa do pai. O trabalho tem características diferentes em relação aos demais. Suas esculturas apresentam traços semelhantes a pequenos totens; cabeças sobre uma base longitudinal. O entalhe, contudo, mantém a expressividade facial. A lista de “personagens” possíveis é ampla. Uma, com espécie de véu, é uma santinha; outra, com colorido verde e amarelo e adereço na cabeça, homenagem ao “Brasil da Copa”; outra, com colarinho de bandeirolas, referencia o carnaval.

Inspirada na irmã, Edinês, 16 anos, decidiu seguir o mesmo caminho. Suas peças têm características próximas às de Maria Cícera - cabeças acopladas a um busto longilíneo. Uma peculiaridade, no entanto, é o caráter ligeiramente mais fino e alongado. Esse dado, todavia, pode variar de acordo com a madeira obtida como matéria-prima. Em conjunto com Maria Cícera, produz a série “A família”, grupos de bonecos que fazem alusão a uma estrutura familiar com pai, mãe e filhos.

O casal Adaílton e Luciene se conheceu em Lagoa da canoa há cerca de 10 anos. Até recentemente Adaílton, mais velho dos filhos de Dedé, trabalhava numa empresa de construção civil em Arapiraca. Nas horas de folga dedicava seu tempo à família e confecção de suas peças. O repertório inclui animais e santos, que pinta com grande pericia.

Luciene, sua esposa, começou a se interessar pela escultura a partir do trabalho do marido e de Maria Cícera. No inicio suas peças tinham características parecidas com as das demais mulheres da família. Aos poucos foi mudando o perfil de sua produção. Um dia, quando Adailton chegou em casa do trabalho, se surpreendeu com um “personagem” de quase dois metros de altura feito pela esposa. Seu “homem do campo” terminado recentemente, conjuga o olhar expressivo e riqueza do entalhe escultórico característico da família, com detalhamentos feitos com a pintura no acabamento da peça, indicando a marca pessoal de seu trabalho.
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