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Leopoldina, princesa da Independência, das artes e das ciências
rioecultura : EXPO Leopoldina, princesa da Independência, das artes e das ciências : Museu de Arte do Rio [MAR]
ABERTURA:
12 de julho de 2016
ENCERRAMENTO:
26 de março de 2017
LOCAL:
Museu de Arte do Rio [MAR]
Praça Mauá
Centro
(21) 2203-1235
FUNCIONAMENTO:
de 3ª a 6ª feira, das 10 às 17h
sábado, domingo e feriado, das 10h às 17h
INGRESSO:
R$8 [inteira]
R$4 [meia - estudantes de escolas particulares (ensino fundamental e médio) e universitários]
Gratuito todas as terças-feiras para o público em geral.
De quarta a domingo o MAR é gratuito para:
​ - Alunos da rede pública de ensino médio e fundamental (com carteira de estudante);
- Crianças com até 5 anos de idade;
- Pessoas mais de 60 anos (com documento de identificação);
- Professores de escola pública (com documento de identificação);
Atenção: os horários e a programação podem ser alterados pelo local sem aviso prévio. Por isso, é recomendável confirmar as informações por telefone antes de sair.
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A mostra conta a vida de uma das personalidades mais importantes no processo de emancipação do Brasil às vésperas da efeméride dos 200 anos de sua chegada ao Rio, em 5 de novembro de 1817, a exposição reúne aproximadamente 350 peças – entre obras de arte, iconografia, documentos, vestuário e mobiliário, além de itens de botânica, zoologia e mineralogia.

Pela primeira vez uma mostra toma conta da passarela que liga a Escola do Olhar ao Pavilhão de Exposições. O espaço será ocupado com uma cronologia narrativa dos principais fatos da vida da Princesa Leopoldina, desde seu nascimento, em 1797, na Áustria, até sua morte em 1826. Nesse contexto, o grande destaque é a coleção de documentos, recém-adquiridos pelo museu, sobre o Congresso de Viena que, realizado em 1815, reorganizou os poderes do continente, então fragmentado por guerras e revoluções. O visitante também poderá entender que o próprio casamento – realizado inicialmente à distância, via procuração – era uma estratégia muito usada pelo país da Europa Ocidental e foi parte dessa tentativa de rever os poderes hegemônicos europeus, expandindo as relações diplomáticas entre Portugal e Áustria.

A chegada da Princesa abriu as portas das Américas em termos tanto comerciais como culturais e sociais. A exposição faz uma ambientação com móveis da época, que poderiam ter sido usados no Palácio de São Cristóvão, assim como objetos que de fato faziam parte do enxoval, como peças de louça com o monograma do casal. Completar essa atmosfera ficará a cargo do visitante, que poderá usar telas interativas para escolher músicas do período. A vida de D. Leopoldina na cidade também será apresentada por meio de cartas que revelavam sua solidão – aguçada pelas dificuldades da língua e do lugar da mulher na sociedade colonial patriarcal –, suas angústias e estratégias para superar as condições de vida no Brasil, agravadas pelo forte calor e grande quantidade de insetos.

Cabe ressaltar as relações de tensão e diversidade cultural vividas por Leopoldina no seu encontro com o contexto social marcado pela escravização de negros e indígenas, questão a qual se dedica um dos núcleos da exposição.

A atuação da Princesa Leopoldina no processo de independência será evidenciada em pinturas e documentos do período que demonstram sua forte articulação política. A mostra lembra a reunião do Conselho de Ministros, presidida por ela, que decidiu pela emancipação do Brasil e terminaria dias depois com o ato simbólico de D. Pedro às margens do rio Ipiranga, declarando a Independência. Essa atribuição heroica ao príncipe regente, que deixa de lado o importante papel de sua esposa, será problematizada pela exposição. Por fim, a mostra lança um olhar para o legado e a forma como sua imagem e trajetória aderiram à história do país. Mesmo com sua morte prematura, aos 29 anos e somente nove após sua chegada aqui, Leopoldina inspirou o nome de ruas, cidades, estações de trem e até mesmo escolas de samba. Leopoldina, princesa da Independência, das artes e das ciências tem curadoria assinada por Luis Carlos Antonelli, Paulo Herkenhoff e Solange Godoy, e curadoria adjunta por Pieter Tjabbes. A mostra ocupará integralmente o terceiro andar da instituição, que é dedicado ao Rio de Janeiro.

Para marcar a abertura, às 11h, além da tradicional Conversa de Galeria aberta ao público, uma apresentação de música com Rosana Lanzelotte — em pianoforte, cópia do utilizado por Leopoldina, construído por Anton Walter em 1805 — e Anton Carballo, violinista integrante da Orquestra Sinfônica Brasileira. Na ocasião, será apresentada uma Sonata do austríaco Sigismund Neukomm (1778 – 1858), composta para pianoforte e violino, escrita no Rio de Janeiro em 1819. Este projeto foi contemplado pelo edital de Fomento Olímpico da Secretaria Municipal de Cultura, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.

rioecultura EXPO Leopoldina
Victor Barrat. Largo do Paço, 1826. Coleção MAR

Esta é uma exposição em torno da história de uma mulher que, apesar da fatídica sorte de ser instrumento de diplomacia e política entre dois impérios do século XIX – o austríaco, dos Habsburgo, e o português, de Bragança –, contribuiu para desvincular definitivamente o Brasil de sua condição colonial e construí-lo como nação.

Ao ir além da vida projetada de princesa cujo casamento com dom Pedro seria estratégico para a manutenção dos poderes instituídos, Leopoldina tornou-se uma das protagonistas da Independência do Brasil. Por seu estímulo e investimento nas ciências e nas artes, a princesa austríaca foi peça significativa na constituição de um campo de conhecimento sobre o país e sua diversidade biológica e cultural.

Leopoldina, princesa da Independência, das artes e das ciências articula questões que atravessaram a vida privada e política da imperatriz, aspectos cruciais da história brasileira e do mundo colonial. O Congresso de Viena, o cotidiano da família real no Brasil e sua descendência, a Missão Científica Austríaca, resistências indígenas, negras e judaicas, o fomento dado pela princesa à música e às outras artes, a amizade com José Bonifácio, a força política da Bahia e, por fim, a participação de Leopoldina no processo de independência são alguns dos focos da exposição, que entrecruza obras de naturezas diversas.

A exposição problematiza a narrativa masculina da história, que não foi ainda capaz de dar a Leopoldina e a tantas outras mulheres, como Maria Graham e Maria Quitéria de Jesus, o devido espaço e reconhecimento de suas atuações históricas e das ressonâncias contemporâneas de suas trajetórias. A presença de seu nome em tantas partes da cidade, da Estação Leopoldina à Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, é um forte indício do legado da princesa que foi rainha e imperatriz e dos modos pelos quais sua imagem e trajetória – a despeito da morte prematura – aderiram intimamente à história do Brasil e do Rio de Janeiro.
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