| 1742 |
Em carta ao governador de Pernambuco, d.André
de Melo e Castro, o Conde de Galveias, vice-rei do Brasil,
opõe-se à transformação do
Palácio das Duas Torres, construído no período
Nassau em Recife, em quartel da tropa local. Para o Conde,
era imprescindível a manutenção da
integridade da construção. Segundo sua carta,
as obras holandesas do período Nassau eram livros
que falam, sem que seja necessário lê-los.
O gesto é considerado o primeiro em defesa do patrimônio
histórico no Brasil. |
| Séc.XVII |
Francisco Mesquita, escrivão da Fazenda
Real, realiza o inventário dos prédios existentes
em Recife, após a expulsão dos invasores
holandeses. A lista totalizou 290 imóveis, que
foram descritos de acordo com seus estilos e técnicas
empregadas. |
| 1772 |
Publicado em Lisboa o livro Santuário
Mariano e histórias das imagens milagrosas de Nossa
Senhora, de Frei Agostinho de Santa Maria. Os volumes
IX e X da obra fazem uma minuciosa descrição
das imagens da Virgem em território brasileiro. |
| 1790 |
Joaquim José da Silva escreve a primeira
síntese da evolução das artes em
Minas Gerais. |
| 1818 |
D. João VI cria, no Rio de Janeiro,
o Museu Real, embrião do Museu Nacional. |
| 1833 |
Fundado no Rio de Janeiro o Instituto Histórico
e Geográfico Brasileiro - IHGB, com o objetivo
de divulgar e reunir documentos relativos à história,
geografia e cultura nacional. O IHGB foi muito prestigiado
pelo imperador d.Pedro II, que fez várias doações
à instituição. |
| 1855 |
O Barão do Bom Retiro, ministro do
Império, ordena que se conserve os monumentos públicos
para que fossem preservadas as inscrições
contidas nos mesmos. |
| 1858 |
Rodrigo Bretas, professor de filosofia e
retórica em Minas Gerais, publica a primeira biografia
de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Para realizar
o trabalho, Bretas consulta livros de registros de igrejas
e colhe o depoimento da nora do artista. Devido a publicação,
Bretas é convidado a integrar o Instituto Histórico
e Geográfico e Brasileiro. |
| 1873 |
Joaquim Norberto de Sousa Silva, empregado
da Secretaria do Estado do Império e sócio
do Instituto Histórico, publica a História
da Conjuração Mineira, considerada uma
obra revolucionária no estudo da Inconfidência.
No livro, Norberto diminui a importância de Tiradentes
no episódio, considerando-o figura secundária. |
| 1914 |
O arquiteto português Ricardo Severo
realiza, na Sociedade de Cultura Artística de São
Paulo, a conferência A Arte Tradicional no Brasil:
A Casa e o Templo. Severo, um dos baluartes do estilo
neocolonial no Brasil, também realizou viagens
à Minas Gerais, em companhia de José Mariano
Filho, outro nome do mesmo estilo. |
| 1916 |
Alceu Amoroso Lima publica na Revista do
Brasil o artigo Pelo Passado Nacional, relatando
impressões colhidas durante viagem a Minas Gerais,
em companhia de Rodrigo Melo Franco de Andrade. |
| 1918 |
José Washt Rodrigues realiza suas
primeiras viagens a Minas Gerais para analisar e estudar
os elementos decorativos arquitetônicos coloniais
brasileiros. |
| 1919 |
Primeira viagem de Mário de Andrade
à Minas Gerais. O escritor visita, em Mariana,
o simbolista Alphonsus de Guimarãens. Na volta
a São Paulo, Andrade faz uma conferência
sobre a arte religiosa do país. |
| 1920 |
O presidente Epitácio Pessoa abole
o banimento da família imperial. No ano seguinte
os restos mortais de d.Pedro II e d.Teresa Cristina são
trazidos para o Brasil, para serem guardados no Mausoléu
Imperial, na Catedral de Petrópolis. |
| 1923 |
O deputado Luiz Cedro apresenta o primeiro
projeto de lei destinado à proteção
do patrimônio. Cedro sugeria que fosse criada uma
inspetoria dos monumentos históricos para "o
fim de conservar os imóveis públicos ou
particulares, que no ponto de vista da história
ou da arte revistam um interesse nacional". |
| 1924 |
Mário de Andrade, Oswald de Andrade,
Tarsila do Amaral, Olívia Guedes Penteado e Blaise
Cendrars fazem viagem à Minas Gerais, onde visitam
as principais cidades históricas do Estado. |
|
José Mariano Filho, então
presidente da Sociedade Brasileira de Belas Artes, convoca
arquitetos e alunos para realizar inventários detalhados
sobre o acervo arquitetônico histórico brasileiro,
com o objetivo de organizar álbuns para divulgar
os monumentos nacionais. Assim, Lúcio Costa vai
para Diamantina, Nereu Sampaio a São João
del Rey e Congonhas, Ângelo Brunhs a Mariana, e
Nestor de Figueiredo a Ouro Preto. |
| 1925 |
Gregori Warchavchik publica no Il Piccolo
(Jornal italiano rodado em São Paulo) o primeiro
manifesto sobre a arquitetura moderna no Brasil, sob o
título Futurismo? . |
| 1926 |
Um grupo de escritores nordestinos liderados
por Gilberto Freire lança o Manifesto Regionalista,
que buscava chamar a atenção do país
para os valores da cultura popular daquela região. |
|
Criada a Inspetoria Estadual de Monumentos
Históricos em Minas Gerais. No ano seguinte seria
criada a da Bahia e em 1928 a de Pernambuco. |
| 1927 |
Gregori Warchavchik projeta a primeira construção
modernista da América do Sul: a casa da rua Santa
Cruz, em São Paulo. |
| 1930 |
Como parte do programa de estruturação
do Estado brasileiro, o presidente Getúlio Vargas
cria o Ministério da Educação e Saúde. |
| 1932 |
O arquiteto norte-americano Frank Lloyd
Wright visita o Brasil, onde realiza conferências
no Rio sobre a arquitetura de países tropicais
e a relação arquitetura/natureza. |
| 1933 |
A cidade de Ouro Preto é elevada
à categoria de monumento nacional, iniciativa que
representou a primeira ação do governo Federal
em relação à proteção
do patrimônio. |
| 1934 |
Criada a Inspetoria dos Monumentos Nacionais,
o primeiro órgão federal de proteção
ao patrimônio. A Inspetoria, fundada por iniciativa
de Gustavo Barroso, teve atuação restrita
e foi desativada em 1937, quando da criação
do SPHAN. |
|
Gustavo Capanema substitui Francisco Campos
no Ministério da Educação e Saúde. |
| 1936 |
O ministro Gustavo Capanema pede a Mário
de Andrade que faça um anteprojeto para a criação
de um serviço federal de proteção
ao patrimônio. O anteprojeto de Andrade desenvolve
uma concepção de patrimônio bastante
avançada para a época. O escritor não
se detém apenas na conceituação de
patrimônio, mas também na caracterização
da função social do órgão,
revelando sua preocupação com a questão
educacional. O anteprojeto é concluído em
24/03. |
|
Criado o Serviço do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional - SPHAN,
sob direção de Rodrigo Melo Franco de Andrade.
Um dos primeiros objetivos do órgão foi
fazer o levantamento das obras de arte e monumentos nacionais.
Participam do SPHAN no período inicial nomes como
Lúcio Costa (chefe da Divisão de Estudos
e Tombamentos), Carlos Drummond de Andrade (organizador
do arquivo e chefe da seção de História),
Afonso Arinos de Melo Franco (consultor jurídico)
e Manuel Bandeira (colaborador nas publicações).
O SPHAN contou ainda com as colaborações
de intelectuais como Alceu Amoroso Lima, Gilberto Freire,
Sérgio Buarque de Hollanda; e especialistas estrangeiros
como Germain Bazin, Hannah Levy e Robert Smith. |
| 1937 |
Com a Lei nº 378, de 13/01, o SPHAN
passa a integrar oficialmente a estrutura do MES e é
criado o conselho consultivo. |
|
O Decreto-lei de n° 25, de 30/11, organiza
a proteção do patrimônio histórico
e artístico nacional. São criados quatro
livros de tombos: Histórico, de Belas-Artes, de
Artes-Aplicadas e Arqueológico/Etnográfico/Paisagístico.
Iniciam-se trabalhos de inventário e pesquisa nos
estados de Minas Gerais, Pernambuco, Bahia, Paraíba,
Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito
Federal (na época, a cidade do Rio de Janeiro).
As pesquisas levantaram informações sobre
os bens, desde seu estado de conservação
e alterações sofridas até as referências
bibliográficas existentes e a documentação
fotográfica relativas aos mesmos. A prioridade
dos tombamentos foi dada aos remanescentes da arte colonial
brasileira, especialmente aos bens de arquitetura religiosa.
|
|
Começa a ser construído, na
rua da Imprensa, RJ, o edifício do Ministério
da Educação e Saúde, depois Educação
e Cultura, e atual Palácio Gustavo Capanema. Considerado
marco da arquitetura moderna brasileira, o edifício
foi projetado por uma equipe liderada por Lúcio
Costa, e que reunia nomes como Oscar Niemeyer, Affonso
Reidy, Carlos Leão, Jorge Moreira e Ernâni
Vasconcelos. O projeto teve parecer do arquiteto suíço
Le Corbusier. |
| 1938 |
O conjunto arquitetônico e paisagístico
de São João del Rey é o primeiro
bem tombado no livro de Belas-Artes do SPHAN, a 04/03.
Em 31/03, a Igreja e o Convento de São Francisco,
em Salvador, Bahia, tornam-se o primeiro bem inscrito
no Livro Histórico; e em 05/05, a coleção
do Museu de Magia Negra (RJ) é a primeira a ser
tombada na categoria de livro Arqueológico/Etnográfico/Paisagístico. |
| 1943 |
Getúlio Vargas cria o Museu Imperial,
instalado no antigo Palácio Imperial de Petrópolis. |
| 1945 |
Inaugurado por Getúlio Vargas o prédio
do Ministério da Educação e Saúde. |
|
Germain Bazin chega ao Brasil, onde permaneceria
por dez anos estudando a arquitetura religiosa brasileira. |
| 1946 |
O SPHAN passa a ser chamado de DPHAN (Departamento
do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional). |
| 1947 |
Tombada a Igreja de São Francisco
de Assis, na Pampulha, Belo Horizonte. A Igreja, projetada
por Oscar Niemeyer, é o primeiro exemplar de arquitetura
moderna tombado no país. |
| 1948 |
O prédio do Ministério da
Educação e Saúde, atual Palácio
Gustavo Capanema, é tombado no livro de Belas-Artes. |
| 1965 |
Germain Bazin protesta em Washington contra
a descaracterização do conjunto arquitetônico
de Ouro Preto. |
| 1967 |
Rodrigo Melo Franco de Andrade se aposenta.
Em seu lugar, assume a direção do DPHAN,
Renato Soeiro. |
| 1970 |
O DPHAN é transformado em IPHAN (Instituto
do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional). |
| 1972 |
Criado em São Paulo o Monumento do
Ipiranga, construído especialmente para abrigar
os despojos de d.Pedro I e d.Leopoldina. |
| 1973 |
Tombados no Livro de Belas-Artes os prédios
do Teatro Municipal, Biblioteca Nacional, Museu Nacional
de Belas Artes e Caixa de Amortização. Localizados
no Rio de Janeiro, os prédios são os primeiros
exemplares do estilo eclético tombados no Brasil.
O ecletismo era até então depreciado no
Brasil por representar uma imitação de exemplares
europeus. |
| 1979 |
Aloísio Magalhães assume a
presidência do IPHAN. Em 13/11, o IPHAN é
transformado em Secretaria do Patrimônio Histórico
e Artístico Nacional (SPHAN). Em 17/12 é
criada a Fundação Nacional Pró-Memória. |
| 1980 |
A cidade de Ouro Preto (MG) é inscrita
na lista do Patrimônio Cultural da Humanidade da
UNESCO. |
| 1982 |
A cidade de Olinda (PE) é inscrita
na lista do Patrimônio Cultural da Humanidade da
UNESCO. |
| 1983 |
As ruínas de São Miguel das
Missões (RS) são inscritas na lista do Patrimônio
Cultural da Humanidade da UNESCO. |
| 1985 |
O Centro Histórico de Salvador e
o Santuário do Nosso Senhor Bom Jesus de Matosinhos,
em Congonhas (MG), são inscritos na lista do Patrimônio
Cultural da Humanidade da UNESCO. |
| 1986 |
O Parque Nacional do Iguaçú
(PR) é inscrito na lista do Patrimônio Cultural
da Humanidade da UNESCO. |
| 1987 |
O Plano-Piloto de Brasília é
inscrito na lista do Patrimônio Cultural da Humanidade
da UNESCO. |
| 1989 |
Ítalo Campofiorito é nomeado
presidente da Fundação Pró-Memória
e secretário da SPHAN. |
| 1990 |
Extintas a SPHAN e a FNPM. Criado o IBPC:
Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural. |
| 1991 |
O Parque Nacional da Serra da Capivara (PI)
é inscrito na lista do Patrimônio Cultural
da Humanidade da UNESCO. |
| 1997 |
O Centro Histórico de São
Luís (MA) é inscrito na lista do Patrimônio
Cultural da Humanidade da UNESCO. |
| 1999 |
A cidade de Diamantina (MG) é inscrita
na lista do Patrimônio Cultural da Humanidade da
UNESCO. |