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O patrimônio público em risco
O patrimônio público em risco
Postado na data de 03.11.08
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Rede de catadores e ferros-velhos ilegais colabora para depredação de monumentos no Centro

A cada 15 dias uma peça de monumento no Rio é furtada, segundo a Fundação Parques e Jardins (FPJ). Para a prefeitura, a cidade vive uma crise de depredação do patrimônio público nunca antes vista. Grande parte dos casos ocorre no Centro, que abriga muitas obras como estátuas e bustos.

O bairro também tem um enorme contingente de catadores de sucata e vários ferros-velhos, um deles aberto 24 horas por dia na Rua Barão de São Félix. Porém, a Coordenação de Licenciamento e Fiscalização (CLF) afirma que só dois ferros-velhos estão legalizados: nas ruas da Lapa e dos Inválidos. Outro item que colabora para a dilapidação do patrimônio público é uma ativa rede de compra ilegal de metais.

— Enfrentamos uma crise de furtos constantes. Como o Centro tem muitas obras e grande quantidade de ferros-velhos, acontece a depredação, que começa com pequenos pedaços do monumento. O lucro que os catadores têm com o furto é pequeno.

O ferro-velho paga pouquíssimo

A gente não consegue acompanhar a velocidade da depredação — diz Vera Dias, chefe da Divisão de Monumentos e chafarizes da FPJ.

A maioria dos responsáveis pelos ferros-velhos do Centro procurados pelo GLOBO não quis dar entrevistas.

Todos admitiram que há oferta de produtos roubados, como tampas de bueiros e metais de procedência duvidosa. Nenhum deles, porém, admitiu comprá-los.

Além de monumentos, fios de concessionárias públicas costumam ser alvo de catadores. Neste caso, no entanto, a compra é considerada mais arriscada. Segundo gerentes de ferros-velhos, a fiscalização da polícia é mais atuante. O delegado titular da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), Márcio Franco, afirma que tanto a sua unidade como as delegacias distritais investigam os furtos: — Ferros-velhos que trabalham na ilegalidade acabam adquirindo (produtos furtados). Investigamos denúncias, e o melhor canal para fazêlas é o Disque-Denúncia.

Ferro-velho móvel na Rua do Resende

Várias irregularidades acontecem na frente de muita gente. Um caminhão, por exemplo, faz ponto diariamente na esquina da Rua do Resende com a Avenida Mem de Sá. Na prática, funciona como um ferro-velho móvel. O veículo tem uma balança e ali se compra sucata de catadores que chegam a toda hora, muitas vezes empurrando carrinhos lotados. A Guarda Municipal informou que aumentará a fiscalização no local.

Entre os catadores que vendem para os responsáveis pelo caminhão está José Antônio da Costa, de 45 anos.

Gráfico desempregado, ele encontrou nas ruas o sustento da sua família

Todos os dias, percorre o Centro com a mulher e a cunhada: — Todos sabem o que é roubado e o que é dado. A decisão de vender algo roubado depende da índole do catador, como acontece com todo mundo.

Assim como ele, muitos catadores são desempregados que procuraram nas ruas o sustento e não podem ser confundidos com bandidos. Ao contrário, trabalham muitas vezes mais de 16 horas por dia. Alguns varam a madrugada em busca de material reciclável.

De acordo com um gerente de ferro-velho na Rua dos Inválidos, eles são os que mais perdem: — Para termos lucro, precisamos tirar do catador na pesagem — disse, sem se identificar.

O único dono de ferro-velho procurado pelo GLOBO que concedeu entrevista foi Marcos Lages. Seu estabelecimento, na Rua Senador Pompeu, a uma quadra da Central do Brasil e da sede da Secretaria de Segurança, tem alvará, segundo ele, diferentemente do que informou a CLF: — Hoje em dia ninguém pode dizer que não sabe quando o material é roubado. A prefeitura deveria criar cooperativas de catadores, seria um ganho social para eles. Além disso, os ferros-velhos têm que ser sempre fiscalizados.

Quem não deve não teme

A FPJ também acha que um aumento de fiscalização provocaria a diminuição dos furtos.

— Quando há um empenho maior (da polícia) na fiscalização dos ferrosvelhos, há uma diminuição desse ritmo (de furtos) — disse Vera.

A Guarda Municipal, responsável por zelar pelo patrimônio público da cidade, informou que vai intensificar a fiscalização. Sua ronda é feita entre as 8h e as 19h. Fora desse horário, guardas em carros fazem vigilância em áreas maiores.

A ação dos bandidos impressiona

A estátua de bronze de José Bonifácio, no Largo de São Francisco de Paula, por exemplo, foi reinaugurada no dia 20 de julho, após uma reforma que custou R$ 132 mil. Hoje, já são oito ponteiras de metal furtadas.

A obra é de 1872

Na Praça Quinze, a estátua do General Osório sofre depredações há pelo menos dez anos, de acordo com a prefeitura. Um trecho da cerca foi completamente serrado. Lanças, bolas de canhão, patas de cavalo, adornos, tudo é alvo dos ladrões.

Mesmo que a prefeitura consiga repor o que é furtado, a perda histórica é irreparável. A obra do famoso escultor Rodolfo Bernadelli foi fundida nas Oficinas Thibaut, em Paris, com o bronze dos canhões inimigos apreendidos durante a Guerra do Paraguai. Inaugurada em 12 de novembro de 1894, pesa 5.700 quilos e tem oito metros de altura.

Os furtos causam grande prejuízo, que é pago pelos contribuintes.

A FPJ não informou o valor, mas gasta cerca de R$ 1 milhão por ano só na conservação do patrimônio.

Fonte: O Globo [02.11.08]
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