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Primeiro arranha-céu brasileiro poderá ser tombado pelo IPHAN
segunda-feira, 1 de abril de 2013
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Cauby Peixoto, Philips, agências de notícias, Emilinha e Marlene, Pan Am, consulados dos Estados Unidos e Panamá, Dalva de Oliveira e Francisco Alves, o auditório da Rádio Nacional... Tudo isso reunido em torno de 22 pavimentos de concreto armado no Centro da cidade do Rio de Janeiro, a então capital do país, resulta em um ícone da história brasileira: o Edifício A Noite, inaugurado em 1929. Após a realização de minucioso estudo, o Departamento de Patrimônio Material do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DEPAM/IPHAN) propõe o tombamento do edifício que reúne valores históricos, artísticos e paisagísticos inquestionáveis.

A proposta de Tombamento será apreciada pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, no próximo dia 3 de abril, a partir das 10h, na sede do IPHAN, em Brasília (SEPS 713/913 Bloco D – Asa Sul). Na ocasião, os conselheiros avaliarão também a proposta de registro da Festa do Divino Espírito Santo de Paraty, no Rio de Janeiro.

:: O nascimento de um ícone da história do Brasil ::

Dominando a Praça Mauá, no Centro do Rio de Janeiro, o Edifício A Noite lembra os anos de glória da região, quando artistas, empresários e políticos eram atraídos pela vida em torno de multinacionais, agências de notícias, consulados e principalmente da Rádio Nacional. Em 1928, o antigo Liceu Literário Português deu espaço a um edifício com 22 pavimentos e estrutura em concreto armado, erguido para abrigar o Jornal A Noite, um projeto do francês Joseph Gire, autor do hotel Copacabana Palace e do Palácio Laranjeiras, e do arquiteto brasileiro Elisário Bahiana, tendo Emilio Baumgart como calculista estrutural. Em seus andares estabeleceram-se sedes de empresas multinacionais, das agências de notícias La Prensa e United Press Association, além dos famosos estúdios da antiga Rádio Nacional, reconhecida nacionalmente pela produção de novelas e divulgação de artistas nacionais, eternamente associados à época em que o edifício era foco de uma vida alegre e boêmia.

A Rádio Nacional foi inaugurada num sábado, em 12 de setembro de 1936. Inúmeros programas marcaram o cotidiano brasileiro, revelando novos astros. Em 1940, decreto do presidente Getúlio Vargas encampou os bens e o Estado assumiu o controle do grupo A Noite. A partir daí, a Rádio Nacional provocou um dos mais importantes fenômenos culturais do Brasil, desenvolvendo seu enorme potencial educativo e unificador do país. A direção da rádio foi entregue ao promotor Gilberto de Andrade, que em 1941 estreou o Repórter Esso, o Rádio Teatro Colgate com a primeira radionovela: Em Busca da Felicidade. O espaço físico foi remodelado. O 21º andar recebeu um grande auditório com 486 lugares e a Rádio Nacional passou a ocupar quatro pavimentos do edifício.

:: Uma nova concepção de cidade ::

O Edifício A Noite também é marco arquitetônico e urbanístico no país. A partir de sua construção, teve início um processo de verticalização da cidade. No início do século XX, na Avenida Central, atual Rio Branco, os edifícios chegavam a até oito pavimentos. Na Praça Mauá, no extremo oposto da Rio Branco, estava a sede do Jornal A Noite, um prédio com 22 andares e 102 metros de altura. Tanto as fachadas como as áreas internas revelam influências do estilo art decó. Em seu terraço havia restaurantes e um mirante que oferecia uma vista privilegiada da cidade e da Baía da Guanabara.

Desta forma, falar da verticalização das construções no Brasil é falar também da introdução e da rápida difusão do uso do concreto armado na realização de estruturas arquitetônicas. A construção do Edifício A Noite influenciou o Código de Obras na cidade, pois com sua conclusão, passaram a ser considerados critérios relacionados com a segurança e a viabilidade dos prédios altos. (Veja galeria de imagem clicando aqui)

:: O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural::

O Conselho que avalia os processos de tombamento e registro é formado por especialistas de diversas áreas, como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia. Ao todo, são 22 conselheiros, que representam o Instituto dos Arquitetos do Brasil – IAB, o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios - Icomos, a Sociedade de Arqueologia Brasileira – SAB, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama, o Ministério da Educação, o Ministério das Cidades, o Ministério do Turismo, o Instituto Brasileiro dos Museus – Ibram, a Associação Brasileira de Antropologia – ABA, e mais 13 representantes da sociedade civil, com especial conhecimento nos campos de atuação do IPHAN.

Fonte: DEPAM - ASCOM-IPHAN

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